O Caderno do Aluno: Uma Nova Proposta de Uso


Os métodos de um professor pode desenvolver a apatia do aluno em relação ao seu processo de ensino aprendizagem e venho refletindo muito sobre isto nos últimos anos, inclusive sobre as ferramentas do dia a dia na sala de aula, desde na forma como devo fazer com eles registrem até minha forma de explanar, sempre dialogando. O foco Caderno com o tempo passou por uma ressignificação em minha forma de compreender sobre seu verdadeiro sentido no processo de aprendizagem dos meus alunos e então percebi que ele poderia ser mais do que um espaço de anotações e registros que eu colocava para eles no quadro, poderia ser um espaço de produção, anotação do que realmente teria sentido para eles.

Minha reflexão partiu da minha observação de minhas próprias anotações de pesquisa, reuniões e outros e percebi que elas faziam sentido para mim, e as vezes não para outras pessoas. Minhas cadernetas e cadernos sempre foram cheios de riscos, esquemas e mapas mentais que iam pipocando em minha mente, realizando ligações das mais variadas possíveis.

Com este pensamento passei a incentivar meus alunos do 6º ao 9º Ano e no Ensino Médio utilizarem o caderno de uma forma diferente, claro que precisei explicar passo a passo, romper paradigmas e barreiras colocadas pelo sistema e assim fui conseguindo alcançar meu objetivo de um caderno totalmente autônomo. Primeiro incentivei aos alunos a realizarem anotações a lápis de minhas explicações ou curiosidades que iriam surgindo, inclusive passaram a anotar meus esquemas de explicação (a professora adora explicar riscando). A organização das cores quando anotavam algo passou a ser realizado por eles mesmos. As pesquisas rápidas que eu passava para trazerem suas explicações nunca foram me entregue separadamente e sim anotações no próprio caderno com as devidas referências, eu vendo um por um! Ilustrações diversas, as vezes os instigava a buscar a imagem de uma mulher muçulmana por exemplo, sempre dizia que podiam colocar uma fotografia ou desenhar da forma deles, olhando em livros e internet. Quando eu pedia para anotarem priorizei os mapas mentais que ligava tudo que conversávamos durante a introdução do tema. Incentivava a elaboração de mapas mentais simplificados a partir da leitura de um texto de apoio e depois a realização de parágrafos raciocínios sempre ligando os conceitos centrais do assunto. A professora adora utilizar palavras diferentes e eles perguntam o significado, pronto, busquem o significado e anotem no caderno. Trabalhávamos de tudo: ilustrações, desenhos, anotações, esquemas e pensamentos, mas eles sempre traziam suas dúvidas ali discorridas e então tínhamos um perfeito mapa avaliativo do processo do aluno, um caderno contendo suas visões, produções, dúvidas, anseios e medos, pois a forma de escrever, interpretar, nos oferecia um perfeito diagnóstico.

O Caderno como ferramenta de apenas anotar e realizar exercícios pode alienar, ele precisa amplificar e qualificar sua função, por isso tente renovar e ele passa a ser seu parceiro no acompanhamento de seu aluno, pense nisso!