As Etapas de Escrita do Projeto Científico: A Interação entre o Professor e o Aluno - Etapa 3


O desenvolver da escrita científica é uma tarefa desafiante na escola pública de ensino fundamental. Muitos alunos apresentam lacunas na Língua Portuguesa, por exemplo: erros de ortografias ou gramaticais. Nessa etapa, é importante e necessário que o professor acompanhe passo a passo com os alunos e explique as necessidades de uma escrita formal e precisa. Ademais, a elaboração do projeto cientifico deve ser debatida e explanada durante as aulas quanto às suas etapas e suas formas de escrita.

Nesse sentido, um projeto cientifico apresenta a seguinte estrutura: problematização e escolha do objeto de pesquisa, objetivos, justificativa, metodologia e fundamentação teórica, resultados, conclusão e referências. Cada tópico com detalhes específicos que devem ser explanados e debatidos em sala. É fundamental que essa explicação seja com muitas indagações e questionamentos. O aluno precisa entender e buscar alguma linha de pesquisa que atrai e desperte o interesse para a pesquisa, pois, a partir do momento que se cria esse vinculo com o objeto de pesquisa, ele passará a pesquisar cada vez mais. Ao lado, pode-se ver um exemplo de projeto cientifico produzido pelos alunos de uma escola fundamental.

A problematização e a escolha do objeto de pesquisa são o inicio do longo trajeto que o professor e o aluno irão traçar. Nesse passo, é importante que o professor encontre linhas de pesquisa e temáticas que o estudante tenha interesse. Por exemplo, um trabalho realizado em 2017, em uma escola de Taubaté, a temática sobre patrimônios materiais e imateriais foi selecionada para ser o foco das pesquisas dos alunos. Então, no caso do professor Luiz Henrique, ele produziu uma apresentação em Power Point para explanar cada patrimônio importante na cidade da literatura infantil, como o Sitio do Pica-pau Amarelo, o teatro metrópole, o prédio da CTI, o Mercado Municipal ou até mesmo a capoeira e a casa do figureiro, entre outros, para que os estudantes escolhessem a temática a qual tivessem mais proximidade ou algum conhecimento prévio. Então, pede-se que eles desenvolvam perguntas questionando o seu objeto. Algo bem dinâmico e divertido para fazer é pedir para os pesquisadores conversem com seu objeto de pesquisa, isto é, questionem sobre o que gostaria de entender ou saber sobre o objeto escolhido.

De acordo com Vygotsky (1998), o ensino de leitura e escrita não deve ser ensinada como uma habilidade motora, entretanto como uma atividade cultural complexa, levando em conta à vida social do aluna, isto é, o aluno precisa entender e perceber a necessidade de estudar o seu objeto de estudo.

Nesse viés, Vigotski (1998, p. 157) corrobora que:

[...] Os educadores devem organizar todas essas ações e todo o complexo processo através de seus momentos críticos, até o ponto da descoberta de que se pode desenhar não somente objetos, mas também a fala. Se quiséssemos resumir todas essas demandas práticas e expressá-las de uma forma unificada, poderíamos dizer que o que se deve fazer é ensinar às crianças a linguagem escrita e não apenas a escrita de letras.

Em segundo, têm-se os objetivos de pesquisa. Nesse tópico, é necessário que os professores ensinem como se escreve formalmente e demonstrem relação com o que foi problematizado. Deve-se escrever de forma paralela e com verbos no infinitivo, por exemplo: entender como funciona o turismo no sitio do Pica-pau Amarelo, explicar qual a função e a importância deste patrimônio para Taubaté, entre outros. Por isso, é interessante e importante que haja interação entre o professor e o aluno, pois os alunos levam suas emoções e conhecimentos para o trabalho científico. Muitas vezes, eles escolhem determinada temática por alguma experiência vivida, ou seja, seu conhecimento de mundo e prévio. Nesse sentido, elucida Tassoni (2000, p.150) que "quando se assume que o processo de aprendizagem é social, o foco desloca-se para as interações e os procedimentos de ensino tornam-se fundamentais. As relações sociais evidenciaram a expressão da afetividade como parte ativa do processo de aprendizagem. As interações em sala de aula são carregadas de sentimentos e emoções constituindo-se como trocas afetivas".

Na justificativa, os alunos precisam escrever o porquê de o trabalho ser importante para sociedade. De que forma a pesquisa traz retorno para a sociedade? De fato, precisa-se encontrar e justificar o porquê você escolheu esse objeto de estudo.

Na metodologia, o professor pode explicar para os alunos que a segmentação é o passo a passo do trabalho deles. Existem vários modos que os estudantes podem elaborar a sua pesquisa. Vejamos os exemplos: elaborar um resumo do tema; entrevistar pessoas (oralidade); desenvolver um jornal, folder ou cartazes e distribuí-los pela escola ou pela cidade, gravar um vídeo sobre a temática, criar um aplicativo para explicar os conceitos da pesquisa e levá-los até a população, entre outros. É nesse momento que o professor precisa incentivar o aluno a encontrar autores que corroborem com conceitos para sua pesquisa. Nesta parte, o professor explicar para o aluno sobre citações e aporte teórico. Nesse sentido, é necessário que o professor acompanhe, indique e corrija os argumentos de autoridade juntos com os alunos.

Em relação aos resultados, os alunos precisam analisar o que eles alcançaram no trabalho cientifico, de acordo com as problematizações e objetivos. É importante que todas as perguntas de pesquisa estejam respondidas no resultado. O que o aluno encontrou ao longo da pesquisa? Você pode clicar ao lado, para ver o vídeo explicativo sobre os passos do projeto

No tópico de conclusão, o aluno deve escrever o que ele concluiu com o trabalho de pesquisa dele. O que mudou na visão dele em relação ao que entendia no projeto de pesquisa antes e depois? É fundamental que o aluno conclua relacionando os objetos de pesquisa e sua problematização e objetivos com a finalização do seu trabalho. E, por último, as referencias bibliográficas ou da internet precisam ser escritas nas normas ABNT. Nesse momento, o professor pode aproveitar para ensinar as normas para os estudantes e a importância de se ter um padrão para o trabalho cientifico.

Referencias:

VIGOTSKI, L. S; LURIA, A. R.; LEONTIEV, A. N. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. São Paulo: Icone, 1998.

TASSONI, E. C. M. Afetividade e aprendizagem: a relação professor-aluno. In: REUNIÃO ANUAL DA ANPEd, 23., 2000, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2000. Disponível em: < http://www .cursosavante.com.br/cursos/curso40/conteudo8232.PDF> Acesso em: 03/04/2019