LABORATÓRIO DO CONHECIMENTO: A EXPERIMENTAÇÃO DA APRENDIZAGEM COMO FORMAÇÃO HUMANA NO MÉTODO DA IMER

Introdução do artigo publicado no curso de Gestão Escola, Coordenação e Supervisão. Também será lançado como capítulo do livro Educação e Metodologias Ativas. Aproveitem!


Os métodos oferecidos pelos sistemas escolares aos educandos tem sido foco de muitos debates, culminando com novos estudos, propondo uma reforma no setor educacional e ainda, ressignificando os currículos vigentes, como a implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), em dezembro de 2017. O ensino tradicional conservador, tem se mostrado pouco eficaz, seja do ponto de vista dos estudantes e professores, quanto das expectativas da sociedade.

A forma como se obtém o conhecimento, dentro desse sistema jesuítico é justamente na transmissão de informações, sem conduzir ao aluno a refletir sobre o que se aprende, o fator experimentação, sempre esteve fora deste alinhamento. Conforme vamos nos aprofundando na História da Educação, pouco vemos na transformação dos métodos e muito vemos na mudança das gerações e isto conduz a produzir cada vez mais analfabetos funcionais.

Em todas as áreas do conhecimento (linguagens, matemática, ciências humanas, ciências biológicas e ensino religioso), os resultados obtidos em avaliações nacionais são negativos. Nesse ponto a escola passa a ser criticada pela baixa qualidade de aprendizagem, sem se preocupar em formar cidadãos críticos e proativos. A partir disto observamos que o conhecimento adquirido se torna fragmentado, sem ocorrer a interligação entre eles, justamente pela ausência da experimentação, defasando todo o processo de assimilação e acomodação (conforme propõe Piaget em suas obras).

Neste cenário, passamos a refletir acerca da escola como espaço de aprendizagem, bem como nos métodos a serem utilizados pelos professores. Através de uma ampla experimentação dessa reflexão em escolas públicas dos municípios de Taubaté e Santo Antônio do Pinhal, elaboramos o método de imersão científica, cujo iremos propor um formato de escola com base nos laboratórios do conhecimento, divididos por áreas (conforme propõe a BNCC), inclusive com braços, integrando o método e o espaço físico, trilhando na interdisplinaridade, na equidade, e principalmente justificando o ensino por habilidades e competências.

Durante esta pesquisa, realizada nas Redes Públicas de Taubaté e Santo Antônio do Pinhal, entre os anos de 2014 a 2019, observamos que os alunos participantes apresentavam melhora no processo de aprendizagem, bem como em seu interesse pelos estudos. Passaram a serem mais críticos, pois experimentavam aquilo que aprendiam, por mais teórico que fosse e aplicavam em assuntos de seus interesses. O método de imersão científica foi aplicado nas disciplinas de Português, Inglês, História, Filosofia e Sociologia, sendo ampliado para as demais áreas em parcerias realizadas com professores de outras disciplinas.

Esta pesquisa é de grande importância, pois acompanha o que se propõe a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), amplia as possibilidades das Metodologias Ativas, e estabelece toda uma análise que propicia uma resolução ao novo olhar para escola como espaço, como método e finalmente, como um laboratório que introduz, experimenta, assimila e produz o conhecimento. O professor para de ser o transmissor e se torna o mediador, como um maestro colocando em sintonia todos os instrumentos musicais, considerando suas peculiaridades e tornando a experimentação da aprendizagem uma melodia em coerente e aos novos moldes do aluno ativo.

Para que essa pesquisa se tornasse possível, o método aplicado durante o período apresentado, foi o da experimentação de campo, no chão da escola pública, aplicando nas aulas cotidianas metodologias ativas, sempre visando a imersão científica, analisando o conhecimento de forma holística e gerando debates entre os alunos participantes. A partir dessas experiências, os alunos foram convidados e produzirem suas próprias pesquisas ao longo dos anos, participando de Iniciações Científicas em Universidades e Bancas promovidas pelos professores. Agora, vamos propor essa metodologia aplicada ao espaço, observando a escola como laboratório. Por fim, foi necessário ampla revisão bibliográfica e produção de artigos para chegarmos na produção do espaço escolar aqui proposto.